No fim da rua do Alecrim, parece tão convencionalzinha a "Vitrine" gigante de Joana Vasconcelos ao pé dos gratuitos grafítis do prédio abandonado, ao lado.
Escreve Proust: "A beleza das imagens situa-se por detrás das coisas, a das ideias na frente. De sorte que a primeira cessa de nos maravilhar quando atingimos estas, mas só compreendemos a segunda quando as ultrapassamos."
Agora chato é o resto. Sejamos modernos de novo, contra a tristeza formatada de tantos desses pós-, neos, retros e o diabo a sete.
Os pesos-pluma de Rui Chafes são eternas frases de osso, belezas matemáticas. Mas arrisco a blasfémia: pintar uma ou outra de cores vivas, erradas, grossas e infantis, não poderia abrir-lhes as vogais?
E quando é que Tomás Cunha Ferreira faz um mural? E objectos-de-ocupar-espaço, coisas em relação às quais não se possa dizer "pintura"?
É preciso tirar as artes plásticas do gueto do dinheiro, warholizar já não a coisa em si mas o caminho até ela.
Na canção do Santo Popular, Samuel Úria diz "pobre" ou "pop"?
Talvez a pintura também pudesse ser myspaçada. Por exemplo, reciclar a ideia de "objectos encontrados" para a era do "faça você mesmo". Achar outros, novos, vários "por exemplos".
Como destraduzir para hoje as procissões-actuações de Albuquerque Mendes?
Brincar aos movimentos, inventar um que juntasse três ou mais pintores de Lisboa, podia chamar-se os Coloristas. Sair da pintura. Reentrar na pintura, forçar a inocência própria, começar do zero mais honesto e mais radical. Tudo mais político, de um novo político, porra.
Atacar a cidade. Fazer uma revista de periodicidade eventual, fazer cartazes inúteis, pintar paredes importantes, mudar a vida das pessoas, oferecer obras-primas grátis, recomeçar dos nossos 17 anos, mudar o mundo antes de morrer, dar nome a uma cor.
Escreve Proust: "A beleza das imagens situa-se por detrás das coisas, a das ideias na frente. De sorte que a primeira cessa de nos maravilhar quando atingimos estas, mas só compreendemos a segunda quando as ultrapassamos."
Agora chato é o resto. Sejamos modernos de novo, contra a tristeza formatada de tantos desses pós-, neos, retros e o diabo a sete.
Os pesos-pluma de Rui Chafes são eternas frases de osso, belezas matemáticas. Mas arrisco a blasfémia: pintar uma ou outra de cores vivas, erradas, grossas e infantis, não poderia abrir-lhes as vogais?
E quando é que Tomás Cunha Ferreira faz um mural? E objectos-de-ocupar-espaço, coisas em relação às quais não se possa dizer "pintura"?
É preciso tirar as artes plásticas do gueto do dinheiro, warholizar já não a coisa em si mas o caminho até ela.
Na canção do Santo Popular, Samuel Úria diz "pobre" ou "pop"?
Talvez a pintura também pudesse ser myspaçada. Por exemplo, reciclar a ideia de "objectos encontrados" para a era do "faça você mesmo". Achar outros, novos, vários "por exemplos".
Como destraduzir para hoje as procissões-actuações de Albuquerque Mendes?
Brincar aos movimentos, inventar um que juntasse três ou mais pintores de Lisboa, podia chamar-se os Coloristas. Sair da pintura. Reentrar na pintura, forçar a inocência própria, começar do zero mais honesto e mais radical. Tudo mais político, de um novo político, porra.
Atacar a cidade. Fazer uma revista de periodicidade eventual, fazer cartazes inúteis, pintar paredes importantes, mudar a vida das pessoas, oferecer obras-primas grátis, recomeçar dos nossos 17 anos, mudar o mundo antes de morrer, dar nome a uma cor.
9 comentários:
Digo "pop". E, homessa, onde foste tu ouvir tamanha velharia?
posso 'rapinar' este texto para o meu blog?
(com as devidas referências é claro)
não é velharia, samuel, é glória! e obrigado: "pop" é melhor, mas a dúvida também é boa. abraço
cara a, claro, roube à vontade.
ele olhou em volta observando que os outros sentiam a mesma coisa e, não percebendo a coisa toda, mas com a certeza dos seus 20 anos, gritou: eimen!
boa certeza, signor macchinista! e essa carruagem, quando é que se põe a atravessar paredes?
O último parágrafo é absolutamente político,
e por isso 'urgente'...
[excelente post(al) este...
digno de ser 'roubado']
Mudar o mundo é pouco.
descobri o apagador, quero ir a tempo do postal:
cores com o vosso nome, talvez desde os 17, com a pintura e os livros, mais música!
quando é que tcf faz um mural?
jlp escreveu um.
maria
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