Cuidado, atenção, Fúria à conquista da blogosfera!
24 de Novembro de 2009
23 de Novembro de 2009
Dois haikus para o presidente do Conselho Europeu
O que ressalta de todas as notícias sobre Van Rompuy, o novo presidente do Conselho Europeu, é o seu gosto por haikus. Não sou poeta, mas esforcei-me (aldrabando só um pouquinho na métrica), a ver se alguém me ouve por essas europas. Senhoras e senhores, não um, mas dois haikus:
Silêncio mole em Bruxelas
Para aprender a ouvir
Falta aprender a falar
Velhas multidões sentadas
Todos querem tudo dado
E dar um murro na mesa?
Silêncio mole em Bruxelas
Para aprender a ouvir
Falta aprender a falar
Velhas multidões sentadas
Todos querem tudo dado
E dar um murro na mesa?
20 de Novembro de 2009
19 de Novembro de 2009
Um "para onde" para a Europa
Daqui a pouco, em Bruxelas, os líderes europeus vão escolher o presidente do Conselho e o alto representante para a Política Externa. É indesmentível que estes novos “fatos institucionais” parecem pouco ambiciosos, demasiado remendados e descosidos, quando comparados com os “desenhos originais” de um Presidente da Europa e de um Ministro dos Negócios Estrangeiros Europeu. E é por isso que a escolha deve recair sobre personagens maiores do que os fatos. Figuras que tenham um discurso próprio e que não dependam do figurino, do palco ou do microfone para serem portadoras de boas soluções, palavras fortes e uma imaginação com os pés bem assentes no mundo. O que falta ao projecto da União é, primeiro que tudo, devolver política à ideia de Europa. Política no sentido de visão, de um olhar para o futuro, de um “para onde” que nos entusiasme e sobressalte. Ousadia, senhores, por favor.
18 de Novembro de 2009
Os problemas Queiroz e Ronaldo
Que o ressoar do ferro daquelas três bolas impensáveis possa atiçar-nos o coração pelo menos noventa minutinhos mais. Duas no poste e uma na barra, três sortes diabólicas, três. Três, a conta que Deus fez. É esse o montante da nossa dívida para com as sortes futeboleiras; hoje, na Bósnia, temos de a pagar por inteiro, caros amigos. Três golos, no mínimo. Para o fazer, só vejo uma hipótese. Deitarmos tudo para trás, recomeçarmos do nada. Como manda a grande lei não escrita da informática: desligar e voltar a ligar.
Quem viu o jogo da Luz sabe. A equipa está descosida, a jogar aos repentes, inconsequente no ataque e insegura na defesa, correndo os relvados de alma apagada, sob o peso da própria ambição. Uma ambição que (não me venham com rankings, por favor) ainda só se assemelha a um desejozinho caprichoso, ainda não tem nada de verdadeiro sonho. Mas, portanto, o que é que temos de deitar para trás das costas?
Em primeiro lugar, o problema Queiroz. Não digo demiti-lo, digo dar-lhe uma folga nos assobios. O seleccionador não conseguiu motivar ninguém, complicou o que era fácil, acumulou erros, falhou no discurso? Pois sim, mas já se percebeu que está para ficar e, assim sendo, este amuo “unilateral” da nação em relação ao chefe (e não, não estou a falar de política...) contagia a equipa de todos nós e compromete os futebóis.
Em segundo lugar, o problema Ronaldo. Ter um dos melhores jogadores do mundo no plantel dos seleccionados não pode ser uma “questão” permanente. Se ele está em campo e joga mal, o melindre de tocar no “intocável” prejudica todos. Se ele está em campo e joga bem, disparam logo os alarmes da “ronaldodependência”. Se ele não está em campo, a ausência parece que toma conta do relvado, das bancadas, das primeiras páginas e de todo o imenso mundo lusitano...
Parece simples, só duas pedrinhas no sapato, pois. Mas se não as resolvemos já-já, chegamos hoje à hora do jogo (ou mais daqui a bocado, à África do Sul) e já nem as chuteiras nos obedecem. Não tenham dúvidas. Só com isto resolvido, estes dois problemas chamados Queiroz e Ronaldo, é que poderemos concentrar-nos na bola e nas formas de devolver ao mundo o futebol-arte.
(no JN de hoje)
Quem viu o jogo da Luz sabe. A equipa está descosida, a jogar aos repentes, inconsequente no ataque e insegura na defesa, correndo os relvados de alma apagada, sob o peso da própria ambição. Uma ambição que (não me venham com rankings, por favor) ainda só se assemelha a um desejozinho caprichoso, ainda não tem nada de verdadeiro sonho. Mas, portanto, o que é que temos de deitar para trás das costas?
Em primeiro lugar, o problema Queiroz. Não digo demiti-lo, digo dar-lhe uma folga nos assobios. O seleccionador não conseguiu motivar ninguém, complicou o que era fácil, acumulou erros, falhou no discurso? Pois sim, mas já se percebeu que está para ficar e, assim sendo, este amuo “unilateral” da nação em relação ao chefe (e não, não estou a falar de política...) contagia a equipa de todos nós e compromete os futebóis.
Em segundo lugar, o problema Ronaldo. Ter um dos melhores jogadores do mundo no plantel dos seleccionados não pode ser uma “questão” permanente. Se ele está em campo e joga mal, o melindre de tocar no “intocável” prejudica todos. Se ele está em campo e joga bem, disparam logo os alarmes da “ronaldodependência”. Se ele não está em campo, a ausência parece que toma conta do relvado, das bancadas, das primeiras páginas e de todo o imenso mundo lusitano...
Parece simples, só duas pedrinhas no sapato, pois. Mas se não as resolvemos já-já, chegamos hoje à hora do jogo (ou mais daqui a bocado, à África do Sul) e já nem as chuteiras nos obedecem. Não tenham dúvidas. Só com isto resolvido, estes dois problemas chamados Queiroz e Ronaldo, é que poderemos concentrar-nos na bola e nas formas de devolver ao mundo o futebol-arte.
(no JN de hoje)
17 de Novembro de 2009
Amuleto em Madrid
O homem vai no avião a ler um livro chamado Amuleto cuja história se passa no México. O homem veio de Lisboa, mas neste momento está dentro do livro aberto nas mãos, no México, na Cidade do México, e vai para Madrid. Não, o homem não tem especial medo de aviões. A certa altura o avião começa a descer e a virar e o homem levanta os olhos do México, olha pela janela. O que vê não tem qualquer relação com Madrid. Formas castanhas, beges e quase brancas pontuadas por pequenos círculos escuros e longos riscos escuros. Uma paisagem expressionista-abstracta. Por um segundo, menos, muito menos do que um segundo, o homem sente-se perdido. E agora, para onde é que vai a história?
16 de Novembro de 2009
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